Carta aos diocesanos

Partilhamos a Carta aos diocesanos de Lisboa, publicada ontem pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente.

“Persistamos assim, caríssimos, nas comunidades e famílias, na vida consagrada e pastoral. Sobretudo agora, quando a nossa oração e solidariedade com os enfermos, as suas famílias e os que estão na primeira linha do combate à pandemia não podem faltar, nem faltarão”.

Leia na íntegra aqui:

https://www.patriarcado-lisboa.pt/site/index.php?cont_=40&id=10410&tem=471&fbclid=IwAR2KpDkwAgYqXvgZkH0ASj4NISbTZkWtPMD7GLAeC-om-co8Qmlv4w2M9qY

‘Quaresma e Quarentena’ | Algumas dicas

Estar em casa pode ajudar-nos a cumprir vários propósitos quaresmais e a atravessar este caminho até à Páscoa, de forma mais tranquila, com mais silêncio, com um maior foco naquilo que é essencial.

Partilhamos abaixo algumas dicas, que fomos lendo e ouvindo:

– Meditar a Via-Sacra em casa

– Ler a Liturgia Diária para participar nas Missas através dos Media

– Silenciar reclamações e dar graças pelas coisas mais pequenas que vamos descobrindo (o Sol na janela, a água que vem da torneira, a música, os livros e a arte, a comida na mesa, as novas tecnologias)

– Rezar todos os dias por alguém, em especial os doentes, os profissionais de saúde, os motoristas de autocarro, os professores, os funcionários que arrumam os supermercados…

– Procurar o silêncio na nossa rotina e deixar o telemóvel, o computador, a TV, por vários momentos

– Pedir perdão ou perdoar alguém e voltar a falar com alguém com quem se havia perdido o contacto, tudo via telefone

– Prescindir de algum momento de preguiça na rotina e fazer algo que há muito tempo esteja pendente (ex. arranjar um móvel, acabar um livro)

– Ler um livro de/sobre um Santo

– Criar um grupo de WhatsApp com amigos para partilhar orações, reflexões e dicas que ajudem todos a vivenciar esta Quaresma, isolada

– Arrumar o armário, de forma a arrumar também o coração: deitar fora o que é supérfluo, doar o que já não usamos a alguém que necessite mais…

– Ler informação fidedigna (procurar sempre uma fonte credível) e reflectir sobre o comportamento actual de forma a aprender um estilo de vida mais sustentável, mais ecológico, mais saudável

– Ir às compras apenas se houver necessidade e apenas para comprar bens essenciais e de forma a não prejudicar quem vá depois; um bom cristão pensa em toda a comunidade 

– Fazer um Exame de Consciência e quando possível, com calma, procurar virtualmente/telefonicamente um sacerdote para que ele possa aconselhar sobre o sacramento da Reconciliação

– Se não pertencer a um grupo de risco deste novo vírus, oferecer ajuda a quem não deve sair de casa (em tarefas simples como ir a farmácia)

– Rezar o Terço, se for em família, com intenções espontâneas

– Apesar de estarmos em casa, deve controlar-se o tempo que se passa (e que as crianças passam) online e a jogar, de forma a não potenciar um maior isolamento

– Evitar o excesso de bebidas alcoólicas, refrigerantes, guloseimas e tudo o que não é saudável

– Não visitar os avós, tios-avós, doentes crónicos, mas sim ligar, fazer video-chamada, contar uma história pelo telefone…

– Fazer com que pelo menos um elemento da família aprenda algo novo todos os dias: o filho pode aprender uma oração, a mãe pode aprender um jogo, o pai pode aprender a poupar água, etc.

Continuação de uma boa quaresma, e uma quarentena (voluntária ou não) tranquila. 💜🙏

(fontes: Aleteia, Educris, ComShalom)

Quaresma e quarentena

Esclarecimento sobre funerais

Face à actual situação e ao risco de infecção pelo novo coronavírus, vigoram alterações no que diz respeito aos funerais. Esclarece o nosso Pároco que os sacerdotes de Odivelas continuam a cumprir o Ritual das Exéquias, não deixando os fiéis abandonados na despedida dos seus entes queridos.

O que deixou de se celebrar é a missa (como todas as missas comunitárias) e estão suspensos os velórios.

A celebração – que recorde-se, é apenas para as famílias que o solicitem – é feita no Cemitério, em espaço aberto, e não nas Capelas Mortuárias, que são um espaço fechado.

Recomendações importantes:
– limitar a participação no funeral aos familiares mais próximos;
– evitar os abraços, beijos e o contacto directo;
– evitar a aglomeração de pessoas, na medida do possível;
– cumprir todas as indicações dos funcionários afectos ao Cemitério.

Qualquer pessoa pode telefonar para a Secretaria da Igreja Matriz com o seu pedido de intenção, nomeadamente missas de 7.º dia, no horário de terça-feira a sábado, das 10h às 12h e das 16h às 18h. Os sacerdotes celebram diariamente e as intenções serão lidas na eucaristia de domingo, transmitida online.

Missas suspensas

À data de 13 de Março, são aplicadas com efeitos imediatos as seguintes medidas de contenção relacionadas com o contágio do coronavírus:

– encontram-se suspensas as celebrações eucarísticas comunitárias;
– encontram-se encerrados os serviços da Secretaria e Cartório;
– recomenda-se aos fiéis a oração, o acompanhamento das celebrações religiosas através da televisão, rádio e internet.
– recomenda-se a todos o cumprimento das recomendações das entidades de Saúde, nomeadamente no que toca às precauções de higiene pessoal, de contenção do convívio social e de proteção dos mais vulneráveis.

Fazemos eco das palavras dos bispos portugueses: “Permaneçamos em oração pessoal e familiar, biblicamente alimentada, confiados na graça divina e na boa vontade de todos.”

COVID-19: comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa

Partilhamos a publicação do Patriarcado de Lisboa, que reproduz um comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa e que vem revogar a comunicação feita anteriormente pela nossa página.

CEP

⚠️
Comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa

Em consonância com as indicações do Governo e das autoridades de saúde, a Conferência Episcopal Portuguesa determina que os sacerdotes suspendam a celebração comunitária da Santa Missa até ser superada a atual situação de emergência.

Também devem seguir-se as indicações diocesanas referentes a outros sacramentos e atos de culto, bem como à suspensão de catequeses e reuniões.

Estas medidas devem ser complementadas com as possíveis ofertas celebrativas na televisão, rádio e internet.

Permaneçamos em oração pessoal e familiar, biblicamente alimentada, confiados na graça divina e na boa vontade de todos.

Lisboa, 13 de março de 2020

[SEMANA NACIONAL-VICARIAL CÁRITAS]

Aviso: A Semana da Caridade foi adiada, incluindo a conferência que seria realizada hoje!

Durante os últimos dias, houve ainda momentos de partilha, como a Conferência
‘Família: Dificuldades e Desafios’, com os testemunhos de Tiago e Regiane Monteiro e Carmo Dinis. Esta foi uma das actividades que recebemos “em nossa casa” tendo acontecido na passada terça-feira, dia 10, na Igreja das Patameiras.

No dia seguinte, o Centro Paroquial da Póvoa de Santo Adrião recebeu a Tertúlia: ‘O que falta ao Migrante-Refugiado para se sentir em casa?’
Estiveram presentes representantes das câmaras de Loures e Odivelas, da Obra Católica Portuguesa das Migrações, e ainda em video-conferência, Baher Yousif, refugiado iraquiano a residir em PT há 10 anos. A moderação ficou a cargo da jurista Ana Varela.

Que esta ‘meia’ Semana da Caridade nos motive a continuar a ir ao encontro das periferias, percebendo as necessidades dos outros, muitas vezes mais distantes do ponto de vista geográfico, social, emocional, etc. e a melhor forma de caminharmos juntos.

Nota da Diocese de Lisboa sobre a ameaça do novo coronavírus

Partilhamos a nota aos diocesanos de Lisboa sobre a actual situação sanitária, assinada pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente.

diocese de lisboa

NOTA AOS DIOCESANOS DE LISBOA SOBRE A ATUAL SITUAÇÃO SANITÁRIA

Caríssimos diocesanos,

Diante da atual situação sanitária, que também afeta o nosso espaço diocesano, adianto-vos o seguinte:

1. Como cidadãos, devemos atender a todas as indicações das autoridades sanitárias e civis, para prevenir situações de risco. Como crentes, não deixaremos de viver o atual momento com fé no Deus da vida, que nunca abandona ninguém, sobretudo nas ocasiões mais difíceis. Mantemo-nos em oração por todos, em especial pelos profissionais de saúde e pelos doentes e suas famílias, certos de que assim se alarga a esperança e reforça o ânimo.

2. Todos poderão contar com a generosidade dos sacerdotes, diáconos e agentes pastorais, que nunca deixarão de acompanhar quem precisa de apoio humano ou sacramental. Generosidade que incluirá a prudência necessária para não prejudicar direta ou indiretamente ninguém. São de adiar as celebrações penitenciais com confissões e não se deve recorrer à absolvição geral.

3. Tomem-se em devida conta as indicações já dadas pela Conferência Episcopal Portuguesa, designadamente quanto à comunhão na mão e à omissão do abraço da paz e da água benta nas respetivas pias. Igualmente, outras que têm sido dadas sobre não beijar imagens e a maior distância e resguardo na administração da reconciliação sacramental.

4. As vigararias, sob a coordenação dos seus vigários, devem seguir as determinações das autoridades nacionais e concelhias sobre espaços públicos e eventos em geral. Onde se encerrarem escolas, devem suspender-se as catequeses e outras ações pastorais que envolvam grupos mais numerosos. Cumpram-se as indicações quanto a visitas a estabelecimentos de saúde e prisionais, bem como a lares e residências. Quanto às celebrações em templos, também se seguirão prudentemente as diretivas das autoridades.

Convosco, com oração e muita estima,

+ Manuel, Cardeal-Patriarca

Lisboa, 11 de março de 2020

[SEMANA NACIONAL-VICARIAL CÁRITAS] | Manhã de Voluntariado

Vai haver uma manhã de voluntariado a decorrer nas várias Paróquias da Vigararia, ao mesmo tempo!

Será Sábado, dia 14/03, e as inscrições estão abertas até segunda-feira, dia 09 (para as actividades a realizar na área da nossa Paróquia).

Quem aceita este desafio?!

Será de certeza uma experiência diferente de todas as outras manhãs de Sábado. Será uma manhã de mudança, em pequena escala, mas que esperamos fazer a diferença na vida de quem mais precisa.

(Após registadas as inscrições, as equipas serão distribuídas pelas várias acções. É por isso que cada voluntário não saberá já qual a sua Missão!)

Mensagem do Papa Francisco – Quaresma 2020

«Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20)

Papa Francisco

Queridos irmãos e irmãs!

O Senhor concede-nos, também neste ano, um tempo propício para nos prepararmos para celebrar, de coração renovado, o grande Mistério da morte e ressurreição de Jesus, fundamento da vida cristã pessoal e comunitária. Com a mente e o coração, devemos voltar continuamente a este Mistério. Com efeito, o mesmo não cessa de crescer em nós na medida em que nos deixarmos envolver pelo seu dinamismo espiritual e aderirmos a ele com uma resposta livre e generosa.

1. O Mistério pascal, fundamento da conversão

A alegria do cristão brota da escuta e receção da Boa Nova da morte e ressurreição de Jesus: o kerygma. Este resume o Mistério dum amor «tão real, tão verdadeiro, tão concreto, que nos proporciona uma relação plena de diálogo sincero e fecundo» (Francisco, Exortação apostólica Christus vivit, 117). Quem crê neste anúncio rejeita a mentira de que a nossa vida teria origem em nós mesmos, quando na realidade nasce do amor de Deus Pai, da sua vontade de dar vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Se, pelo contrário, se presta ouvidos à voz persuasora do «pai da mentira» (Jo 8, 44), corre-se o risco de precipitar no abismo do absurdo, experimentando o inferno já aqui na terra, como infelizmente dão testemunho muitos acontecimentos dramáticos da experiência humana pessoal e coletiva.
Por isso, nesta Quaresma de 2020, quero estender a todos os cristãos o mesmo que escrevi aos jovens na Exortação apostólica Christus vivit: «Fixa os braços abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar sempre de novo. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, crê firmemente na sua misericórdia que te liberta de toda a culpa. Contempla o seu sangue derramado pelo grande amor que te tem e deixa-te purificar por ele. Assim, poderás renascer sempre de novo» (n. 123). A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em muitas pessoas que sofrem.

2. Urgência da conversão

É salutar uma contemplação mais profunda do Mistério pascal, em virtude do qual nos foi concedida a misericórdia de Deus. Com efeito, a experiência da misericórdia só é possível «face a face» com o Senhor crucificado e ressuscitado, «que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim» (Gl 2, 20). Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal. Antes de ser um dever, esta expressa a necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e sustenta. De facto, o cristão reza ciente ciente de ser indignamente amado. A oração poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus é que ela penetre profundamente em nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à sua vontade.
Por isso, neste tempo favorável, deixemo-nos conduzir como Israel ao deserto (cf. Os 2, 16), para podermos finalmente ouvir a voz do nosso Esposo, deixando-a ressoar em nós com maior profundidade e disponibilidade. Quanto mais nos deixarmos envolver pela sua Palavra, tanto mais conseguiremos experimentar a sua misericórdia gratuita por nós. Portanto, não deixemos passar em vão este tempo de graça, na presunçosa ilusão de sermos nós o dono dos tempos e modos da nossa conversão a Ele.

3. A vontade apaixonada que Deus tem de dialogar com os seus filhos

Não devemos jamais dar por descontado o facto de o Senhor nos proporcionar uma vez mais um tempo favorável para a nossa conversão. Esta nova oportunidade deveria suscitar em nós um sentido de gratidão e sacudir-nos do nosso torpor. Não obstante a presença do mal, por vezes até dramática, tanto na nossa existência como na vida da Igreja e do mundo, este período que nos é oferecido para uma mudança de rumo manifesta a vontade tenaz de Deus de não interromper o diálogo de salvação connosco. Em Jesus crucificado, que Deus «fez pecado por nós» (2 Cor 5, 21), esta vontade chegou ao ponto de fazer recair sobre o seu Filho todos os nossos pecados, como se houvesse – segundo o Papa Bento XVI – um «virar-se de Deus contra Si próprio» (Encíclica Deus caritas est, 12). De facto, Deus ama também os seus inimigos (cf. Mt 5, 43-48).
O diálogo que Deus quer estabelecer com cada homem, por meio do Mistério pascal do seu Filho, não é como o diálogo atribuído aos habitantes de Atenas, que «não passavam o tempo noutra coisa senão a dizer ou a escutar as últimas novidades» (At17, 21). Este tipo de tagarelice, ditado por uma curiosidade vazia e superficial, carateriza a mundanidade de todos os tempos e, hoje em dia, pode insinuar-se também num uso pervertido dos meios de comunicação.

4. Uma riqueza que deve ser partilhada, e não acumulada só para si mesmo

Colocar o Mistério pascal no centro da vida significa sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até à do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria.
Também hoje é importante chamar os homens e mulheres de boa vontade à partilha dos seus bens com os mais necessitados através da esmola, como forma de participação pessoal na edificação dum mundo mais justo. A partilha, na caridade, torna o homem mais humano; com a acumulação, corre o risco de embrutecer, fechado no seu egoísmo. Podemos e devemos ir mais além, considerando as dimensões estruturais da economia. Por este motivo, na Quaresma de 2020 – mais concretamente, de 26 a 28 de março –, convoquei para Assis jovens economistas, empresários e agentes de mudança (changemakers), com o objetivo de contribuir para delinear uma economia mais justa e inclusiva do que a atual. Como várias vezes se referiu no magistério da Igreja, a política é uma forma eminente de caridade (cf. PIO XI, Discurso à FUCI, 18.12.1927). E sê-lo-á igualmente ocupar-se da economia com o mesmo espírito evangélico, que é o espírito das Bem-aventuranças.
Invoco a intercessão de Maria Santíssima sobre a próxima Quaresma, para que acolhamos o apelo a deixarmo-nos reconciliar com Deus, fixemos o olhar do coração no Mistério pascal e nos convertamos a um diálogo aberto e sincero com Deus. Assim, poderemos tornar-nos naquilo que Cristo diz dos seus discípulos: sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5, 13.14).

Papa Francisco

Roma, em São João de Latrão, 7 de outubro de 2019,
Memória de Nossa Senhora do Rosário